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Mais do que uma filosofia de vida, adeptos de produtos orgânicos buscam saúde e qualidade de vida.
Dá para perceber que quem compra orgânicos leva junto a idéia de um mundo melhor, com mais qualidade de vida. O pacote vem completo e inclui a preservação da natureza, “pois o processo de cultivo convencional, que usa adubos químicos e agrotóxicos, tem sua parcela de culpa no aquecimento global do planeta”, confirma a engenheira agrônoma e produtora Mônica Pletschette. Os restos de fertilizantes, por exemplo, tendem a escapar para rios e lagos próximos a plantações e viram comida para a vegetação aquática. O resultado é que as algas se multiplicam sem controle e morrem. Quando entram em decomposição, consomem o oxigênio da água, sufocando os peixes. Os fertilizantes também aumentam a produção de óxido nitroso, um gás que sai do solo e que representa 5% das emissões relacionadas ao efeito estufa. “Com os pesticidas é ainda pior. Eles não matam apenas os insetos que destroem as lavouras, mas também outras formas de vida, como as borboletas e os pássaros. Quando os agricultores erram e exageram na dose, sobram resíduos nos alimentos, toxinas que podem causar câncer”, explica.
Mais do que consumir alimentos saudáveis, os adeptos professam uma filosofia de vida, que começa até mesmo antes do consumo dos orgânicos. “Na adolescência, já buscava formas alternativas de alimentos, como a macrobiótica”, diz a médica nutróloga Daniela Boaventura Moraes. “Continuei com os integrais, sementes e oleoginosas, até virar vegetariana. E, para quem consome mais verduras, legumes e frutas, é fundamental saber a origem dos produtos. Daniela, por exemplo, encontra os hortifrutigranjeiros nas feiras de orgânicos da Prefeitura de Belo Horizonte e pede açúcar, suco de laranja, de uva, via internet, pois alguns fabricantes de produtos processados (para diferenciar de industrializados) já fazem esse tipo de entrega em todo o Brasil. “Com uma demanda maior dos produtos, o acesso ficou melhor. Como nutróloga, ela gosta de repetir uma frase que aprendeu no primeiro dia de aula na faculdade de medicina. “Se você não conhece o pai de uma doença, a mãe é sempre uma dieta inadequada”, explica. É justamente por isso que as consultas duram mais tempo, pois ela conversa longamente com os pacientes sobre suas escolhas alimentares. “Não existe doença que a nutrologia não possa ajudar. Mexer na dieta, adicionando alimentos mais saudáveis, sempre traz benefícios.”
Lanche comunitário
Professora da Pólen Jardim e Escola Waldorf, em Nova Lima, que adota a linha pedagógica antroposófica, Andrea Gallo, de 36 anos, é adepta da alimentação ecológica que inclui verduras, legumes e frutas orgânicas, arroz integral, soja e cereais. Na sua casa, o marido e os dois filhos, de 5 e 3, também são vegetarianos, para formar bons hábitos. Na escola antroposófica, em que estudam, todos os alunos adotam um cardápio diferente.
A cada dia, uma das mães leva o lanche comunitário para todas as crianças da sala, seguindo as orientações da professora. A merenda respeita a regência do planeta ou astro de cada dia (confira quadro). Assim, na segunda-feira, por exemplo, dia regido pela Lua, as crianças tomam sopa com arroz integral. Um dia na semana, os alunos fazem pão. “Eles mesmos moem o trigo, peneiram, preparam o fermento, fazem a massa, ajudam a enrolar e assam. No outro dia é que vão degustar o pão, pois aprendem também que é preciso saber esperar”, explica.
Em casa, elas repetem o ritual de bons hábitos alimentares, mas têm liberdade de comer o que tiverem vontade, quando vão visitar os amigos e os avós. “Não somos radicais, pois criança tem curiosidade de conhecer e experimentar. O nosso objetivo é que os nossos filhos tenham uma alimentação saudável e ecológica, com mais orgânicos e integrais, menos pasteurizados, embutidos e industrializados.”
Bem mais caros (cerca de 30%) e difíceis de encontrar, os alimentos orgânicos ficam escondidos nas prateleiras dos supermercados, mas já movimentam cerca de US$ 300 milhões no Brasil, que ocupa a 34ª colocação na produção mundial. Pesquisas realizadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmam que os alimentos orgânicos são mais nutritivos dos que os convencionais, com 63% a mais de cálcio, 73% de ferro, 118% de magnésio, 91% de fósforo, 125% de potássio e 60% a mais de zinco, todos essenciais para o desenvolvimento e a manutenção da saúde.
O mesmo estudo aponta benefícios na prevenção de doenças como câncer, já que os alimentos orgânicos também têm mais antioxidantes que os convencionais. Uma sopa feita com vegetais orgânicos, por exemplo, contém seis vezes mais ácido salicílico do que a que usa só produtos convencionais.
Respeito à natureza
A agricultura limpa e consciente, de acordo com Mônica, usa insumos de origem natural, como esterco, húmus de minhoca, farinha de osso, cinzas e farelo de mamona, além de extratos naturais de plantas, controle biológico e preparados biodinâmicos, para controle de possíveis pragas e doenças. Os produtores, porém, têm que receber selos de certificação de entidades como o Instituto Biodinâmico (IBD) e cumprir normas, pois “ser orgânico não é apenas plantar sem agrotóxico. É respeitar a natureza integralmente. Além de não usar adubos químicos, os produtores orgânicos têm que provar a qualidade da água e apresentar técnicas de manejo, como não fazer queimadas e ter área de preservação ambiental na propriedade”.
Em pequena escala ainda, Mônica já cria frangos que não tomam hormônios ou antibióticos. “Eles são alimentados com milho, farelo de soja e verdura à vontade. Tem também uma linha de produtos orgânicos processados, como geléias, molho de tomate, antepastos de berinjela, arroz integral e branco, feijão carioquinha e preto, pasta de alho, entre outros. A garantia maior, segundo ela, é a de produtos de qualidade, que não agridem o meio ambiente nem a saúde da família.
A PUC Minas acaba de promover a 2ª Semana do Alimento Orgânico, no câmpus do Coração Eucarístico, para informar sobre produtos, que “são produzidos respeitando-se a vida dos solos, dos animais, das nascentes, dos mananciais que abastecem as cidades e dos ecossistemas. Além disso, os orgânicos possibilitam o fortalecimento da agricultura familiar e preservam a saúde dos produtores rurais”, explica Miguel Ângelo, coordenador do curso de ciências biológicas da PUC Minas. A universidade, inclusive, abriu espaço para uma feira orgânica e oficinas, com práticas variadas sobre hortas urbanas, sucos e chás.
Saiba mais nos sites:
www.friboi.com.br
www.korin.com.br
www.nativealimentos.com.br
Déa Januzzi
SAUDEPLENA.com.br
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