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Artigo sobre Frutose da Ms Arícia Motta Arantes Lustosa

Ms Arícia Motta Arantes Lustosa

O papel da Frutose na etiologia da obesidade e da resistência insulínica

 

Ms Arícia Motta Arantes Lustosa

 

Nutricionista mestre em Ciência da Motricidade Humana

 

 

A frutose é um carboidrato do tipo monossacarídeo contendo 6 unidades de carbono (hexose) unidos por ligações covalentes simples. A nomenclatura frutose é derivada do latim fructus, visto que as frutas são ricas neste tipo de açúcar. A frutose é também constituinte da sacarose, da inulina (presente na chicória, batata-doce, alcachofra), na rafinose, na estaquiose (presente na soja, lentilha, ervilha, feijão). Neste sentido, o seu consumo é freqüente na alimentação da maioria dos indivíduos através de uma alimentação normal (NELSON, COX, 2000; BARREIROS et al, 2005).

 

No entanto, a partir da década de 70 um adoçante artificial passou a ser utilizado: o xarope de açúcar invertido. Este termo descreve uma solução composta por glicose, sacarose e frutose, obtida através da reação da hidrólise da sacarose também conhecida como inversão do açúcar (BARREIROS et al, 2007; RODRIGUES et al, 2000). A introdução deste produto contribuiu para que aumentasse o consumo da frutose em todo o mundo, através de sua adição em produtos industrializados de sabor adocicado (refrigerantes, sucos, bebidas isotônicas, alimentos confeitados) ou não (biscoitos). A indústria lança mão deste novo produto que apresenta maior vida de prateleira, menor custo do que o açúcar comum e melhor palatabilidade, levando a uma maior ingestão dos alimentos (BARREIROS et al, 2005; JOHNSON et al, 2007). A combinação do açúcar de mesa com o xarope milho rico em frutose resultou num aumento de cerca de 30% na ingestão total de adoçantes nos últimos 40 anos, principalmente nos refrigerantes, contribuindo para uma ingestão de mais de 500kcal/dia.

 

O consumo de frutose na alimentação cotidiana através de frutas, vegetais e leguminosas é positivo visto ser um nutriente energético. No entanto, o consumo excessivo em produtos industrializados, contribui para o aumento de lipídios sanguíneos, especialmente dos triglicerídeos (BARREIROS et al, 2007; JOHNSON et al, 2007).

 

Estudos epidemiológicos têm demonstrado a influência da alimentação na gênese do diabetes. A correlação entre a ingestão de frutose e resistência à insulina, hiperglicemia e hipertrigliceridemia já tem sido bem demonstrada em ratos (BARROS et al, 2007; JOHNSON et al, 2007) e há evidências desta relação também em humanos.

 

Referências Bibliográficas:

 

BARREIROS, RC, BOSSOLAN, G, TRINDADE, CEP. Frutose em humanos: efeitos metabólicos, utilização clínica e erros inatos associados. Rev. Nutr., v.18, n.3, p. 377-389, 2005.

 

BARROS, CMMR, LESSA, RQ, GRECHI, MP, MOUÇO, TLM, SOUZA MGC, WIERNSPERGER, N, BOUSKELA, E. Substitution of drinking water by fructose solution induces hyperinsulinemia and hyperglycemia in hamsters. Clinics, v.62, n.3, p. 327-334, 2007.

 

JOHNSON, RJ, SEGAL MS, SAUTIN, Y, NAKAGAWA T, FEIG, DI, KANG, DH, GERSCH, MS, BENNER, S, SÁNCHEZ-LOZADA, LG. Potential role of sugar (fructose) in teh epidemic of hypertension, obesity and the metabolic syndrome, diabetes, kidney disease, and cardiovascular disease. American Journal of Clinical Nutrition, v. 86, p.899-906, 2007.

 

NELSON, D.L.; COX, M.M. Lehninger: Principles of Biochemistry. 3ed. New York: Worth Publishers, 2000.

 

RODRIGUES, MVN, RODRIGUES, RAF, SERRA, GE, ANDRIETTA, SR, FRANCO, TT. Produção de xarope de açúcar invertido obtido por hidrólise heterogênea, através de planejamento experimental. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 20, n.1, 2000.

 

 

 
 

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